
Em 2025, o Brasil terminou o ano com uma das maiores taxas de juros reais do mundo, um reflexo não apenas da política monetária do Banco Central, mas também da estrutura fiscal e do tamanho do Estado. Este fenômeno — marcado por uma Selic muito alta, crescimento econômico modesto e uma pressão contínua sobre os agentes produtivos — merece uma análise profunda e libertária para entender seus efeitos e os desafios para o próximo ano.
📉 O Brasil e o Topo do Ranking Global de Juros Reais
Segundo dados consolidados de rankings internacionais, o Brasil ficou em 2º lugar no mundo em juros reais, com a taxa Selic mantida em 15% ao ano enquanto a inflação projetada girava em torno de 5% — resultando em juros reais próximos de 9,4% a 9,7%.
Esse patamar elevado coloca o Brasil logo atrás da Turquia em termos de custo real do dinheiro — um sinal inequívoco de uma política monetária extremamente restritiva.
🧨 Por Que os Juros Estão Tão Altos?
O Banco Central manteve a Selic em 15% em várias reuniões ao longo de 2025, justificando que esse nível era necessário para ancorar expectativas de inflação e manter o IPCA sob controle.
No entanto, a inflação já mostrava sinais de desaceleração, e muitos setores produtivos alertaram que juros tão altos estavam retardando investimentos, elevando o custo de crédito e sufocando a atividade econômica.
🫀 O Efeito Sobre a Economia Real
Enquanto os juros altos podem ajudar a desinflacionar parte da economia financeira — e até valorizar o real em certos períodos — eles têm efeitos adversos sobre a economia real:
- 🔹 Desestímulo ao crédito para empresas e empreendedores;
- 🔹 Custo maior para financiamentos imobiliários e de máquinas;
- 🔹 Retração no consumo e no investimento privado;
- 🔹 Pressão sobre o crescimento do PIB, que em 2025 ficou abaixo do potencial esperado.
Em outras palavras, juros altos transformam o custo do dinheiro em um tributo informal sobre quem produz, investe ou busca crédito para crescer.
🧠 Uma Crítica Libertária: Hayek e Friedman em Evidência
📈 Friedrich Hayek: o perigo da intervenção excessiva
Hayek sempre enfatizou que intervenções estatais, especialmente quando combinadas a déficits orçamentários, distorcem o sistema de preços e impedem o cálculo econômico eficiente. Juros artificialmente elevados — resultantes tanto de política monetária quanto fiscal — são um exemplo claro dessa distorção: o preço do dinheiro deixa de refletir o risco real e passa a refletir a ineficiência do Estado.
Assim, em vez de permitir mercados livres na formação de juros, o Brasil cria uma situação em que os capitais mais sensíveis à política pública podem flutuar mais pela expectativa de intervenção do que por fundamentos econômicos.
📉 Milton Friedman: inflação como fenômeno monetário
Friedman ensinou que inflação é sempre e em toda parte um fenômeno monetário. Se a inflação está caindo, como mostram projeções para 2025 e 2026, não há necessidade de juros tão elevados — a menos que exista um problema fiscal crônico que sustenta a insegurança monetária.
Do ponto de vista friedmaniano, o Brasil estaria tratando apenas os sintomas (juros altos) e não as causas (gastos públicos excessivos, dívida em elevação e falta de reformas estruturais).
📅 O Que Esperar em 2026
🔮 Tendência Monetária
Enquanto muitos países em 2025 começaram a reduzir juros de forma agressiva — inclusive grandes bancos centrais em economias desenvolvidas — o Brasil permaneceu isolado nessa estratégia de juros altos.
Com inflação histórica em declínio e pressão global para cortes de juros, existe uma janela para que 2026 seja o ano de ajustes, mas isso dependerá de reformas fiscais e da confiança no ambiente econômico.
💸 Impacto no Crescimento Potencial
Juros calibrados tendem a estimular investimento, inovação e geração de emprego — fatores que hoje estão reprimidos. Sem reformas, o Brasil corre o risco de manter juros altos por mais tempo, transformando crescimento em mera miragem.
🪙 Conclusão: Estado Gastador, Juros Altos e Economia Estagnada
O Brasil de 2025 pagou um preço alto por políticas econômicas que privilegiam um Estado grande e intervenção excessiva. Os juros altos, embora talvez apropriados em um cenário inflacionário descontrolado, acabaram sendo prolongados além do necessário, atrasando investimentos e penalizando quem produz.
À luz do pensamento libertário — com insights de Hayek e Friedman — a solução não está em juros artificiais elevados, mas sim em disciplinar gastos públicos, simplificar o sistema tributário e devolver ao mercado a formação natural dos preços.
Se 2026 quiser ser o ano da virada, será pela adoção de medidas que reduzam o custo do Estado, promovam crescimento e libertem o potencial produtivo da sociedade brasileira.

