
A manutenção da taxa de juros brasileira em patamares extremamente elevados nos últimos tempos não é um fenômeno isolado, nem fruto do acaso. Trata-se, na verdade, de mais um sintoma crônico de um modelo econômico baseado em Estado grande, centralizador, gastador e intervencionista. Sob a ótica do Libertarianismo, juros altos não são a causa do problema — são apenas a consequência inevitável de um sistema que insiste em concentrar decisões, riscos e recursos nas mãos do governo.
O Brasil ostenta uma das maiores taxas de juros reais do mundo. Mesmo quando outras economias já iniciaram ciclos de flexibilização monetária, o Banco Central brasileiro segue pressionado a manter a Selic elevada, sob o argumento de “ancorar expectativas”, “controlar a inflação” e “garantir credibilidade fiscal”. Mas o que isso realmente significa na prática? Significa que o Estado perdeu o controle sobre si mesmo — e transfere o custo desse descontrole para toda a sociedade.
O Estado Gasta Sem Freio, o Banco Central Puxa o Freio de Mão
Imagine um motorista acelerando com tudo em uma estrada molhada, enquanto outro pisa com força no freio. O carro não anda direito, derrapa, faz barulho e gasta combustível à toa. Essa é, em essência, a economia brasileira hoje.
De um lado, temos um governo que:
- amplia gastos públicos;
- cria ou mantém subsídios ineficientes;
- interfere em estatais;
- aumenta a carga tributária;
- sinaliza pouca responsabilidade fiscal no médio e longo prazo.
Do outro lado, um Banco Central que tenta conter os danos usando a única ferramenta que ainda lhe resta: juros altos.
No libertarianismo, essa situação seria vista como uma completa distorção de incentivos. Em um Estado mínimo, o governo simplesmente não teria poder (nem recursos) para gerar déficits recorrentes capazes de desancorar expectativas inflacionárias. Logo, o remédio amargo dos juros elevados sequer seria necessário.
Juros Altos São um Imposto Invisível
Embora não apareçam explicitamente no contracheque, juros altos funcionam como um imposto oculto, que atinge principalmente:
- pequenos empreendedores;
- trabalhadores que dependem de crédito;
- famílias endividadas;
- investidores produtivos.
Quando o crédito fica caro, menos empresas investem, menos empregos são gerados e menos inovação acontece. Em contrapartida, quem se beneficia? O próprio Estado, que continua se financiando por meio da dívida pública, remunerada com juros elevados pagos com o dinheiro dos contribuintes.
Ou seja: o governo cria o problema, vende a solução e ainda lucra com ela.
Em um sistema verdadeiramente livre, no qual o Estado não fosse o maior tomador de crédito da economia, os juros seriam definidos majoritariamente pelo risco real do mercado, e não pela necessidade desesperada do governo de financiar sua máquina inchada.
Comparação com Economias Mais Livres
Países com maior liberdade econômica — menor intervenção estatal, carga tributária mais racional e gastos públicos controlados — tendem a apresentar:
- inflação estruturalmente mais baixa;
- juros menores no longo prazo;
- maior previsibilidade econômica;
- crescimento sustentado.
Não é coincidência. Em economias menos centralizadas, o Estado não disputa recursos com o setor produtivo, não distorce preços por decreto e não precisa manipular a política monetária para corrigir erros fiscais.
No Brasil, ao contrário, o governo atua como um elefante em uma loja de cristais: interfere em tudo, quebra incentivos e depois culpa o “mercado” pelas consequências.
O Mito da Proteção ao Povo
Defensores do Estado grande costumam dizer que juros altos são “necessários para proteger os mais pobres da inflação”. Mas essa narrativa ignora um ponto essencial: a inflação nasce do próprio Estado, via expansão monetária, descontrole fiscal e intervenções artificiais.
O cidadão comum sofre duas vezes:
- primeiro, quando o dinheiro perde valor;
- depois, quando o crédito se torna inacessível.
Em um arranjo libertário, o governo não teria a prerrogativa de manipular a moeda a seu bel-prazer. O poder de emitir dinheiro — ou de influenciar diretamente seu custo — seria severamente limitado ou inexistente. Logo, o ciclo vicioso de inflação alta e juros elevados dificilmente se formaria.
Centralização é o Problema, Não a Solução
A experiência brasileira mostra que mais Estado não significa mais estabilidade, mas sim mais volatilidade, mais incerteza e mais dependência de decisões políticas. Cada reunião do Copom vira um evento dramático porque toda a economia está refém de um pequeno grupo de burocratas tentando corrigir erros estruturais que eles próprios não criaram, mas que fazem parte do sistema.
Num Estado mínimo:
- o governo não escolhe vencedores;
- não socorre empresas amigas;
- não gasta mais do que arrecada;
- não transfere riscos para gerações futuras.
Nesse cenário, juros altos não seriam regra — seriam exceção temporária.
Juros Altos São o Espelho do Estado que Temos
A taxa de juros elevada no Brasil não é um acidente, nem um erro técnico isolado. Ela é o reflexo fiel de um modelo que confia demais no poder do Estado e desconfia demais da liberdade individual e do mercado.
Sob a ótica libertária, a solução não está em pressionar o Banco Central, nem em “canetadas” para baixar juros artificialmente. Está em reduzir o tamanho do Estado, cortar gastos, devolver liberdade econômica à sociedade e permitir que o mercado funcione sem amarras políticas.
Enquanto o governo insistir em ser grande, caro e centralizador, os juros continuarão altos — e a conta continuará chegando para quem produz, trabalha e sustenta tudo isso.
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Créditos da imagem: ICL Noticias

