
O ano de 2025 entrou para a história como um dos mais duros para a imigração nos Estados Unidos. Com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, a política migratória americana passou por uma reestruturação profunda, deixando claro que o tema deixou de ser apenas administrativo e passou a ser tratado como questão de segurança nacional.
Todos os dias, centenas de latino-americanos tentam cruzar ilegalmente a fronteira entre o México e os EUA. Com a política de “tolerância zero”, a entrada irregular passou a resultar em responsabilização criminal imediata dos adultos, com detenções por tempo indeterminado até avaliação judicial. Esse cenário reacendeu o debate humanitário, especialmente envolvendo crianças, mas também consolidou a postura mais rígida do governo em relação ao controle de fronteiras.
A maior guinada migratória da história recente
Desde janeiro de 2025, o governo americano implementou medidas que impactaram diretamente vistos de trabalho, turismo, estudo, refúgio e permanência. Entre as principais ações estão a suspensão de processos de asilo, restrições em entrevistas consulares, aumento expressivo de taxas, proibição de entrada de cidadãos de 19 países e a maior operação de deportações já registrada.
Os números refletem essa mudança. Apenas entre janeiro e outubro de 2025, mais de 2.200 brasileiros foram deportados, o maior volume desde o início da série histórica da Polícia Federal, com crescimento de 37% em relação a 2024. Ao longo do ano, dezenas de voos de deportação foram realizados, e o ritmo acelerado indica que 2025 deve fechar como o ano mais severo para imigrantes brasileiros nos EUA.
Paralelamente, o país passou a registrar cerca de 60 mil pessoas em centros de detenção, impulsionado pela meta do governo de realizar até 3 mil prisões por dia.
Mudança de lógica: imigração como segurança nacional
Segundo a advogada de imigração Larissa Salvador, CEO da Salvador Law, o que ocorreu em 2025 vai além de ajustes pontuais. “Trata-se de uma mudança estrutural. A mobilidade internacional passou a ser tratada como tema de segurança nacional, o que altera completamente a postura dos consulados, da imigração de fronteira e até das cortes”, explica.
Para os brasileiros, isso se traduz em processos mais caros, análises mais rigorosas e um nível de fiscalização que não era visto há muitos anos.
Principais mudanças que afetaram brasileiros
Entre as medidas mais relevantes adotadas em 2025 estão:
Retorno da entrevista obrigatória para todos os solicitantes de visto, incluindo crianças e idosos;
Limitação do tempo de permanência para estudantes e jornalistas;
Exigência de perfis de redes sociais públicos para análise de vistos estudantis;
Ampliação da coleta de dados biométricos na entrada e saída do país;
Endurecimento do teste de cidadania para naturalização;
Aumento drástico da taxa do visto H-1B para novas solicitações;
Criação do “Gold Card”, que permite residência permanente mediante pagamento milionário.
Essas medidas elevaram significativamente o nível de controle e o custo da imigração legal.
O que esperar para 2026
Para quem pretende iniciar um processo migratório em 2026, a recomendação é cautela máxima. Histórico migratório limpo, documentação consistente e estratégia jurídica bem definida passaram a ser fatores decisivos. Erros que antes causavam atrasos agora podem resultar em negativa direta do visto.
Programas humanitários, como asilo e refúgio, também tendem a enfrentar ainda mais restrições, com revisões e endurecimento dos critérios.
Brasileiros que já vivem nos EUA
Para quem já reside no país, o alerta é claro: a fiscalização aumentou. A atuação do ICE se intensificou em locais de trabalho, aeroportos e cruzamentos de dados estaduais. Qualquer irregularidade pode gerar consequências graves, incluindo deportação.
Casos pendentes exigem atenção imediata e acompanhamento jurídico especializado, já que erros técnicos podem comprometer todo o processo.
Copa do Mundo de 2026: sem flexibilização migratória
Apesar da expectativa em torno da Copa do Mundo de 2026, especialistas alertam que grandes eventos não significam flexibilização das regras migratórias. O aumento do turismo não altera políticas de visto permanente, asilo ou regularização interna.
Conclusão
O ano de 2025 marcou uma virada definitiva na política migratória dos Estados Unidos. Com regras mais duras, custos elevados e fiscalização ampliada, a imigração passou a ser tratada como prioridade estratégica do Estado americano. Para brasileiros, o novo cenário exige planejamento, informação e responsabilidade redobrada para evitar riscos e prejuízos irreversíveis.
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